THE CONTINGENCY OF POLITICS AND THE NECESSITY OF HYPOCRISY IN MACHIAVELLI’S THE PRINCE

  • Albano Pina Universidade da Beira Interior (UBI); PRAXIS – Centro de Filosofia, Política e Cultura; Bolseiro de Doutoramento FCT.

Abstract

Na sua obra mais conhecida, Maquiavel mostrou como o príncipe nunca
é avaliado por aquilo que é, mas segundo o que parece ser. O político deve,
portanto, agir como um hipócrita, como um ‘grande simulador e dissimulador’,
para manter o apoio do povo sobre o qual o seu poder assenta. Contudo, a
hipocrisia não equivale simplesmente ao engano dos governados pelos
governantes. Face à divisão social subjacente ao estado, ela desempenha na
verdade um papel fundamental na constituição imaginária de um poder soberano
capaz de impor a unidade e a estabilidade sobre a vida colectiva. O nosso objectivo
é indagar o uso da hipocrisia por forma a enfatizar a distinção introduzida por
Maquiavel entre virtude moral e ‘virtù’ política. Além disso, tentaremos
demonstrar de que maneira a hipocrisia é apresentada enquanto parte integrante
de uma estratégia mais ampla contra os efeitos imprevisíveis do tempo,
simbolizados através da metáfora da ‘Fortuna’.

Published
2019-05-03
Section
LYING AND HYPOCRISY IN POLITICS AND MORALITY, WITH RUTH GRANT